Nasci em Vila Velha, Espírito Santo, Brasil. Desde cedo, as histórias nunca foram apenas entretenimento para mim — elas foram refúgio, direção e propósito.

Aos cinco anos de idade, sonhando em me tornar artista e desenhista da Marvel e da DC, tomei uma decisão silenciosa que moldaria minha vida: comecei a aprender inglês sozinho. Não havia aulas, nem professores particulares. Aprendi por meio de filmes, videogames, RPGs de mesa e uma curiosidade incansável. O idioma se tornou uma porta de entrada — uma que abriu portas para mundos muito além do meu.

Aos nove anos, já fluente em inglês, li O Hobbit em inglês. Aquele livro fez mais do que contar uma história — mudou a minha compreensão da própria imaginação. Ser nerd nunca foi uma fase; era da minha natureza. Viver aventuras na minha mente não era uma fuga. Era uma necessidade.

Então chegou o momento que cristalizou tudo. Assistindo a "A Sociedade do Anel" pela primeira vez, eu realmente entendi que mundos podiam ser criados , não apenas imaginados. Que histórias podiam viver além das páginas. Que o cinema podia se tornar uma linguagem completamente diferente. A partir daquele momento, contar histórias e fazer cinema se tornaram inseparáveis ​​na minha mente.

Profundamente atraído pela mitologia, fantasia épica e terror, encontrei inspiração em vozes como as de Clive Barker, Stephen King, H.P. Lovecraft e Anne Rice. Suas obras me ensinaram que a escuridão podia ser poética, que o terror podia carregar significado e que o mito podia ser tanto belo quanto cruel. A partir dessas influências, um mundo começou a tomar forma — sombrio, implacável e honesto.

Esse mundo se tornou MAUD .

Em sua essência, MAUD nasce de uma única e devastadora ideia: um deus, movido pela necessidade de devoção absoluta, escolhe apagar a criação e recomeçar. Seus próprios filhos — os mesmos deuses que ajudaram a moldar o mundo — se rebelam contra ele. A rebelião deles fragmenta a própria realidade. A guerra termina, mas a um custo terrível. O sol não brilha há mais de dois mil anos. Os deuses se foram. Os mortos não descansam mais — suas almas estão aprisionadas, amaldiçoadas a retornar como mortos-vivos.

Assim como o nosso mundo, MAUD não é um lugar fácil de se viver. No entanto, em sua essência, ele é medido pela esperança — e pela vontade de nos tornarmos as melhores versões de nós mesmos. É um mundo de consequências, moldado por ações tomadas e caminhos escolhidos.

A vida, porém, moldou a história tanto quanto a imaginação.

Em 2005, cheguei ao Reino Unido — uma terra onde sempre sonhei viver — não para perseguir ambições, mas para ajudar minha família e construir uma nova vida. Anos depois, em 2011, voltei ao Brasil a pedido do meu pai. Após perder os rins e entrar em uma profunda depressão, ele pediu para ir para o que considerava seu lar, sabendo que seu tempo estava se esgotando. Eu fiquei. Honrei esse desejo porque ele passou a vida lutando por nós e era o mínimo que eu podia lhe oferecer. Após seu falecimento, voltei mais uma vez ao Reino Unido — não para fugir, mas para reconstruir. Para recomeçar. Para voltar para casa.

MAUD sobreviveu a tudo isso. À dor. À distância. Ao silêncio. A anos em que tive que me concentrar em sobreviver, não em viver meu sonho.

Permaneceu. Esperando. Recusando-se a ser abandonada.

Esta saga existe porque eu nunca a deixei morrer, e porque alguns mundos — assim como algumas pessoas — são forjados pela resistência, não pela luz.